As coisas mais simples são justamente as mais difíceis de serem concluídas, mas porquê?

Qual o motivo dessa confusão?

O quê nos leva a esquecer a vida e colocarmos nossos sentimentos em uma prateleira a venda, por qualquer preço?

Que sensação persegue a mesmice de nossa vida contemporânea?

A infelicidade?

Chega de perguntas: vamos ao que interessa. O medo crescente de ser aceito, à vontade avassaladora de ser e ter.

Há vezes em que um medo absolutamente intenso nos ronda o sono, nos tira a concentração no trabalho, nos impede o prazer da leitura.

Aquele medo de ter de ir embora bem no melhor da festa; de sair do cinema bem na hora; da melhor música do seu vinil estar arranhada.

Um medo de não estar ali quando mais se quer e mais se precisa estar; de enjoar em alto mar, perdendo a beleza de tanto azul.

E, sem mais nem menos, ele vai passando, ou se acomodando. E eis que estamos prontos para seguir.

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Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.

Carlos Drummond de Andrade

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